domingo, 23 de julho de 2017

Até que o Sol mostre a sua graça - Lucas Costa


"Até que o Sol mostre a sua graça" é uma canção de Lucas Costa gravada pela banda Inventura. Lucas lembra que ela foi escrita em um dia de muita chuva, quando invocou o eu lírico para manifestar a sua vontade de estar acompanhado naquele momento. "Ela fala de como é mágico você estar com alguém que faça com que as coisas ao redor não tenham importância, ou que elas ganhem um significado especial, até mesmo a sua bagunça. É estar ali junto e se sentir livre pra não querer nem sair de casa", explica Lucas.

A faísca da canção surgiu em um ensaio da banda com o riff de guitarra da introdução. Lucas levou o trecho criado em estúdio para o seu laboratório criativo para travar um diálogo com outras ideias que se encontravam guardadas. No ensaio seguinte já tocavam "Até que o Sol mostre a sua graça" com a letra pronta. O baixista e vocalista assume a bagunça que a canção apresenta como parte do seu processo criativo: "Mas a minha bagunça é completamente organizada, há uma ordem ali que se arrumarem acaba com a minhas chances de me localizar ou localizar qualquer coisa", defende o cantor.
A faixa "Até que o Sol mostre a sua graça" está no primeiro álbum da banda Inventura, lançado em 2014. O trabalho foi gravado pelos próprios integrantes no Estúdio Jimbo, em Alagoinhas, e, depois, em Salvador, recebeu os cuidados de mixagem e masterização de André T. 

sábado, 22 de julho de 2017

Saudade dos Aviões da Panair - Milton Nascimento e Fernando Brant

* colaboração do jornalista musical Abner Moabe




Não faz muito tempo a canção “Conversando no Bar” pôde finalmente vir a assumir o seu título original. É que quando foi escrita, ser divulgada como “Saudade dos Aviões da Panair” soaria subversivo demais. A música é mais uma das inúmeras parcerias de Milton Nascimento com o saudoso poeta e jornalista Fernando Brant. Ela foi gravada primeiramente por Elis Regina em 1974 e, no ano seguinte, pelo próprio Milton Nascimento. Em sua letra aparentemente singela, “Conversando no Bar” guarda memórias sobre um capítulo sombrio da história do Brasil que muitos insistem em negar. Esse texto falará mais sobre esses fatos do que sobre a música em si, mas no fim das contas, falando de um, estaremos falando do outro.

Eram três da tarde do dia 10 de fevereiro de 1965 quando um telegrama do Ministério da Aeronáutica chega aos escritórios da Panair do Brasil informando que o certificado de operação da empresa estava sendo cassado. A Panair era a maior empresa aérea do Brasil e uma das maiores do mundo. Naquela mesma noite, diversas tropas invadiram os hangares da empresa e passaram imediatamente ao comando da Varig. O curioso é que não havia nenhuma irregularidade nos impostos da empresa e mesmo assim a decisão do fechamento foi decretada pelo Marechal Castelo Branco.

Para explicar tal absurdo, entra em cena Mário Wallace Simonsen - um dos homens mais ricos do Brasil na época. Simonsen era o principal sócio da Panair e dono de inúmeras empresas, dentre elas, a TV Excelsior. Normalmente, grandes magnatas possuem boa relação com os detentores do poder, mas, no caso de Simonsen, a relação com os militares não era nem um pouco amistosa - querela que já vinha de antes mesmo do golpe. Mesmo não sendo um simpatizante da esquerda, suas pequenas atitudes em defesa da legalidade e da democracia brasileira acabariam causando a fúria dos militares e a sua própria ruína.

Em 1961, durante a tensão política que acabou resultando na renúncia de Jânio Quadros, enquanto os militares estavam prontos para tomar o poder, Simonsen mandou um de seus executivos para avisar ao vice-presidente João Goulart do que estava se passando no Brasil. Em viagem oficial a China, Jango corria o risco de voltar ao Brasil e se encontrar destituído do cargo que lhe era de direito.


Bastou um ano de governo militar para Simonsen ver o seu grupo empresarial desmoronar. A "falência" da Panair até hoje não foi reparada devidamente, assim como todos os demais crimes da Ditadura. Um mês após o fechamento da empresa, Simonsen faleceu, vítima de infarto. A TV Excelsior, a única que era opositora ao Regime Militar, começou a sofre pressões e ter seus programas censurados, entrando numa crise econômica que se agravou após o "incêndio" da sua sede, em 1989, fechando as portas em 1970.

Como é possível perceber, sentir saudades da Panair, como indicava a canção de Milton e Fernando Brant, não era algo bem visto pelas altas instâncias do poder ditatorial que regeu o Brasil de 1964 à 1985. Sentir saudade da Panair era sentir saudades de um tempo em que era permitido sonhar, de um tempo em que era permitido sentir saudades. Era lembrar que a maior das maravilhas era estar voando sobre o mundo nas asas da Panair.

Para que não mais se repita!!!

Para que não mais aconteça!!!

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Oi - Glauco Neves



Oi é uma canção do baterista e videomaker Glauco Neves. Ela foi escrita há dez anos quando Glauco se apaixonou pela sua atual esposa Clarissa Marques. Eles foram apresentados por um amigo em comum e o primeiro movimento de Glauco foi criar uma conta fake no Orkut para manter contato - ele ainda vivia o processo de terminar um relacionamento e não podia usar o seu perfil de comprometido, pois assustaria a moça. Obviamente a moça sacou tudo e questionou Glauco que teve de assumir.


O tempo passou, Glauco terminou o namoro e ficou sabendo de uma festa em que Clarissa com certeza estaria presente. Ele então vestiu o seu traje penetra, foi à festa, conquistou um beijo e ainda voltou de carona com a moça. Nos dias seguintes escreveria "Oi", a canção. "Na música eu dou um Oi assim, beeem despretensioso, procurando saber se aquela noite tinha pra ela o significado especial que teve pra mim", explica o baterista. 

Dias depois a música seria enviada (por MSN) para Clarissa em uma gravação caseira feita no seu Mp3 Player - somente voz e violão como manda a tradição das serenatas. "Fiquei surpresa quando ele mandou a música, achei bem corajoso da parte dele. Era uma gravação bem tosquinha, mas eu ficava ouvindo toda hora", revela Clarissa. A cantada foi mesmo certeira: estava estabelecido o elo amoroso entre Glauco e Clarissa que há um ano se expandiu com a chegada do pequeno Benjamim.
Como amuleto do casal, a canção se fez presente também no pedido de casamento - feito por Glauco durante um show, em pleno dia dos namorados (que você confere no vídeo abaixo). Anos depois "Oi" receberia sua gravação oficial no primeiro disco de Glauco Neves e Sua Orquestra Elegante. "Nela eu toco bateria e canto. Ficou pegada Roupa Nova, bonitona, com a produção do Alex Reis", reitera Glauco

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Melhores Quanto ao Carnaval - Escambau

“Melhores Quanto ao Carnaval” é uma canção de Giovanni Caruso. O músico conta que ela foi escrita no Paraguai, terra natal da sua esposa, onde costuma se retirar para o ócio criativo. “Ela foi dessas músicas que surgem de uma sentada só, uma estrutura simples de quatro acordes maiores. Fiz no violão, tocando bem baixinho porque a minha filha estava dormindo no mesmo quarto. Depois até aumentamos o tom para a gravação, pra que ela tivesse um acento mais punk”, revela Giovanni.
Do seu retiro, Giovanni escreveu uma letra que reflete com ironia a crise moral vivida pelo cidadão brasileiro - perdido no mar de notícias diárias sobre crimes de corrupção e de sua contínua impunidade. “Eu confesso que muitas vezes até fujo do noticiário, me pergunto de que adianta gravar músicas, lançá-las, quando nos vemos diante de uma máfia tão inescrupulosa. Mas ao mesmo tempo eu percebo que essa é a arma que nós temos pra enfrentar tudo isso. Não vejo como ser artista dando as costas para a realidade”, explica Giovanni.
“Melhores Quanto ao Carnaval” foi lançada como clipe e é o primeiro single do disco duplo “Sopa de Cabeça de Bagre” (2017) da banda Escambau. "Ela surgiu em meio à gravação do disco, quando ele ainda nem era concebido como duplo. A banda identificou uma urgência em veicular a mensagem dela. Lançar o trabalho sem ela, seria como 'entrar em campo com o Garrincha no banco'", brinca Giovanni.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Sol do meio Dia - Dante Oxidante e Serafim Martinez


Sol do Meio Dia é uma parceria dos músicos Dante Oxidante e Serafim Martinez. Ela é inspirada na esperança do cidadão do interior que migra para os grandes centros urbanos em busca de melhores condições de vida. "Essa melhoria nem sempre é o que acontece. Quem trabalha na rua, com o Sol na cabeça, é que sabe o real valor da vida", explica Dante. 
A canção reflete a trajetória do próprio Dante que aos 8 anos de idade saiu de Feira de Santana com os pais rumo a Salvador. Na capital, logo cedo, ele se encontraria na música: aos 11 anos foi classificado no curso de extensão e bateria/percussão da Escola de Música da Universidade Federal do Estado da Bahia onde se formaria musicalmente até os 18 anos. "Mas ainda é lá na roça que eu sigo buscando inspiração para as conquistas aqui na cidade", confessa o cantor. 
Finalizada em 2000,  Sol do Meio Dia foi gravada pelo cantor no seu primeiro disco solo, "Devagar também é pressa", lançado este ano. A faixa, balançada entre o reggae e o baião, conta com a participação especial do mestre da percussão Gabi Guedes (Orquestra Rumpilezz).  

terça-feira, 18 de julho de 2017

Cajuína - Caetano Veloso

*Texto de Caetano Veloso publicado no Blog do Moreno



"Numa excursão pelo Brasil com o show Muito, creio, no final dos anos 70, recebi, no hotel em Teresina, a visita de Dr. Eli, o pai de Torquato. Eu já o conhecia pois ele tinha vindo ao Rio umas duas vezes. Mas era a primeira vez que eu o via depois do suicídio de Torquato. Torquato estava, de certa forma , afastado das pessoas todas. Mas eu não o via desde minha chegada de Londres: Dedé e eu morávamos na Bahia e ele, no Rio (com temporadas em Teresina, onde descansava das internações a que se submeteu por instabilidade mental agravada, ao que se diz, pelo álcool). 
Eu não o vira em Londres: ele estivera na Europa mas voltara ao Brasil justo antes de minha chegada a Londres. Assim, estávamos de fato bastante afastados, embora sem ressentimentos ou hostilidades. Eu queria muito bem a ele. Discordava da atitude agressiva que ele adotou contra o Cinema Novo na coluna que escrevia, mas nunca cheguei sequer a dizer-lhe isso. No dia em que ele se matou, eu estava recebendo Chico Buarque em Salvador para fazermos aquele show que virou disco famoso. Torquato tinha se aproximado muito de Chico, logo antes do tropicalismo: entre 1966 e 1967. A ponto de estar mais freqüentemente com Chico do que comigo. Chico eu eu recebemos a notícia quando íamos sair para o Teatro Castro Alves. Ficamos abalados e falamos sobre isso. E sobre Torquato ter estado longe e mal. Mas eu não chorei. Senti uma dureza de ânimo dentro de mim. Me senti um tanto amargo e triste mas pouco sentimental. 

Quando, anos depois, encontrei Dr. Eli, que sempre foi uma pessoa adorável, parecidíssimo com Torquato, e a quem Torquato amava com grande ternura, essa dureza amarga se desfez. E eu chorei durantes horas, sem parar. Dr. Eli me consolava, carinhosamente. Levou-me à sua casa. D. Salomé, a mãe de Torquato, estava hospitalizada. Então ficamos só ele e eu na casa. Ele não dizia quase nada. Tirou uma rosa-menina do jardim e me deu. Me mostrou as muitas fotografias de Torquato distribuídas pelas paredes da casa. Serviu cajuína para nós dois. E bebemos lentamente. Durante todo o tempo eu chorava. Diferentemente do dia da morte de Torquato, eu não estava triste nem amargo. Era um sentimento terno e bom, amoroso, dirigido a Dr. Eli e a Torquato, à vida. Mas era intenso demais e eu chorei. No dia seguinte, já na próxima cidade da excursão, escrevi Cajuína."

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Reamanhecer - Thiago Ribeiro


Reamanhecer é uma canção do músico Thiago Ribeiro gravada pela banda Toco Y Me Voy. Ela teve como inspiração a técnica cinematográfica utilizada pelo diretor espanhol Pedro Almodôvar de fazer das cores elementos narrativos. Desta apreciação estética, Thiago escreveu uma canção em que o eu lírico passeia por uma paleta de cores a partir das suas sensações."Um belo dia - depois de um outro muito complicado -, brincando com o bandolim, me veio quase toda a música. Nela eu falo deste dia anterior do ponto de vista do dia seguinte, ao reamanhecer", explica o cantor.
                                                                          Foto: Flora Rocha
A faixa Reamanhecer dá nome ao segundo disco da Toco Y Me Voy, lançado em 2016. Thiago conta que ela foi escolhida para o batismo da obra por oferecer um retrato fiel do momento vivido pelo grupo. "A música fala dessa necessidade de nos reinventarmos constantemente. Eu e a banda passamos por momentos complicados até chegar a este trabalho", revela Thiago. 

                                                                   Foto: Maira Lins

Não só o cineasta espanhol influencia a musicalidade de Thiago, ele conta que quando morava em Londres decidiu realizar uma viagem pela Europa antes de voltar para o Brasil. Acabou se encantando pela cidade de Granada e por lá ficou por mais um ano digerindo a musicalidade moura e estudando o violão flamenco. 
                                                                           Foto: Flora Rocha
"A experiência de tocar com muitas pessoas de diferentes culturas me incentivou a fazer o que fazemos na Toco que é tentar combinar essas estéticas musicais diversas através de um ponto comum entre elas", explica Thiago. Este encontro musical está em Reamanhecer e também na originalidade do grupo que reúne bandolim, baixo, acordeon e bateria para chegar aos nossos ouvidos com o frescor de um um novo dia.   
 TOP 3 Filmes de Pedro Almodóvar por Thiago Ribeiro: